Aquilo que eu disse, em tempos, fez sentido para alguns. Quando eu falava havia sempre uns quantos que além de escutarem me ofereciam a sua palavra. A maioria das vezes que dizia uma piada todos rasgavam sorrisos, mesmo aqueles que menos vontade disso tinham.
Agora? Agora aquilo que eu digo já ninguém entende ou tenta entender, agora quando falo, ninguém se incomoda em dizer apenas que ouviu porque a maioria das vezes nem me chegam a ouvir, agora as minhas piadas não passam de um ruído de fundo que sonha ser ouvido.
Eu sei, eu tenho a noção desta cruel verdade mas há sempre uns corações ingénuos que fazem a boa acção, que me atiram à cara, de todas as maneiras possíveis que ninguém me ouviu, que ninguém quis saber do que eu disse ou, melhor ainda, que toda a gente me ignorou.
Dói muito, cá dentro, bem fundo. Mas eu rio-me como sempre, eu digo que não me importa que eu apenas preciso de falar. Sim é verdade, preciso mesmo de falar, mas ninguém se importa comigo. Porque? Porque fiz questão de criar a mentira de que a minha vida era recheada apenas de sorrisos e mascarar tudo aquilo que digo com um facto de algo sem importância.
Agora, quando mais preciso, levo com as consequências Tive um tempo que a radio me fazia questão de manter "no ar" mas o meu tempo de antena acabou e só aqueles fãs muito apaixonados e os próximos antes da fama é que continuam a fazer caso. Só esses me ouvem, só esses respondem com palavras cúmplices sem medo de mostrar que estão lá, só esses continuam a achar piada às minhas lamurias porque são esses os verdadeiros, sempre foram e só lhes tenho de pedir desculpa por, só neste momento de desespero, lhes conseguir dar o devido valor.
É nestas alturas, quando a nossa vida cai num buraco escuro onde não há nenhum sorriso que possa iluminar o caminho, que aparecem aqueles que te lançam as mais impossíveis razões para te fazer sorrir ajudando-te, dessa maneira, a sair do buraco onde todos os que julgaste teus amigos, te deixaram cair.
silent tears, 15:25.