Hoje foi o primeiro dia que as minhas reprimidas lágrimas se viram expostas aos olhares insensíveis e condenadores que passeiam a sua ignorância pelas ruas vestidas com os mais belos pares de carros e com os mais brilhantes vidros que nos fazem imaginar as agressivas e impuras noites que se passam naquele lugar onde caem gotas salgadas de desespero e tristeza.
Foi o primeiro dia que vivi contigo a maior dor, o pior pesadelo e a mais horrível verdade que alguma vez encontrei diante mim. Não só diante mim mas também sob mim. Como se uma década de anos se tivesse instalado sem qualquer pedido, colocou-se da maneira mais desconfortável e mais repentina que conseguiu arranjar. Toda aquela mascara que eu tinha construído durante anos e anos para me proteger, todas aquelas forças que tinha guardado dentro de mim que iam ajudando olhares carentes, tudo aquilo que me dava segurança e me mostrava aquilo que eu era, desapareceu quando esse peso caiu sobre mim.
Sinto-me frágil, a única coisa que consigo mostrar é a minha fraqueza, as minhas lágrimas e a minha dor. São tudo feridas, agora desprotegidas, onde qualquer um pode cravar o dedo e causar a pior dor de sempre.
Já não sei como esconder, como curar ou como viver com isto.
Eu só quero que este dia desapareça tão rápido como apareceu. Quero que ele vá e leve tudo o que me deixou.
silent tears, 11:35.